sábado, maio 04, 2013

Meu circuito fechado (hoje)









Pia, escova de dente, creme dental, água, chuveiro, sabonete, toalha. Calcinha, blusa, calça, chinelo. Cama, computador, internet, facebook, inbox. Site de estudos, livro, caneta, lápis, borracha, caderno. Telefone, escada, maçaneta, porta, conversa, beijos, despedida. Mesa, cadeira, prato, talheres. Cama, travesseiro, edredom, controle remoto, tv, filme. Chuveiro, sabonete, toalha, pia, escova de dente, creme dental. Sutiã, calcinha, camisa, calça, bolsa, sandália rasteirinha. Ônibus, cadeira, janela aberta, vento. UESC, biblioteca, livros. Sala de aula, notebook, facebook, inbox. Professora, língua portuguesa, análise de textos. Ônibus, cadeira, sorte, janela aberta, vento, fone de ouvido, música, olhos fechados. Casa, chuveiro, sabonete, toalha. Pia, escova de dentes, creme dental. pijama, cobertor, travesseiro, cama. 


 

Coisas que eu gosto


Bom humor. Gente educada. Abraço apertado. Escrever. Sorvete. Gentileza. Perfume bom. Praia no final da tarde. Minha família. Livrarias. Céu estrelado. Ter saúde. Livro bom. Almoço gostoso de domingo. Ler à noite. Olhar para o mar. Caipirinha. Gente leve. Sapato confortável. Brigadeiro quente na panela. Ir ao cinema. Filme bom. Gente humilde. Pudim. Viajar. Pessoas que sabem elogiar e fazer críticas construtivas. Receber um SMS fofo. Falta de frescura. Ficar sem fazer nada por algumas horas. Meus amigas do peito (que são poucos). Integridade. Comprar uma roupa nova. Sair satisfeita do salão. Acordar tarde aos Sábados, Domingos e Feriados. Pagar todas as contas do mês e ver que sobrou dinheiro. Pessoas que valorizam pessoas. Pessoas que incentivam a cultura do país. Gente com atitude. Gente otimista. Homens bem resolvidos. Mulheres que se valorizam. Friozinho. Cheiro de livro novo. Conversar só com o olhar. Delivery. Uma ótima trilha sonora. Brincar com a minha sobrinha. Ver que alguém lavou a louça da cozinha (e não fui eu!). Lençol cheiroso na cama. Um pouco de silêncio. Casa limpinha. Pessoas autênticas. Cafuné. Cinema quase vazio. Cantar alto, mesmo sem saber a letra. Ar condicionado. Conversar com gente inteligente. Me sentir em paz. Sentir amor. Sorriso sem motivo. Conversas no ouvido. Música boa. Cereal no café da manhã. Capuccino no fim da tarde. Ônibus vazio. Piscina em dia de sol quente. Troca de olhares. Beijo na boca. Gente irônica. Felicidade. Ter saúde. Ter esperança. Não faltar fé.
 

domingo, março 24, 2013

Aceit(ação)

 


   Partindo do principío único de que nós não somos obrigados a falar com ninguém, a ficar com ninguém, a amar alguém, nós obviamente também não somos obrigados a viver junto ou conviver com pessos que não gostamos, a fazer o que não queremos, porque temos o livre arbítrio para fazer o que bem entendemos de nossas vidas. 

   Você pode fingir que gosta de uma pessoa, porque pode tirar vantagens disso, e ser esse tipo de pessoa que fala do outro pelas costas sempre que tiver oportunidade, e portanto ACEITAR que outras pessoas sejam do mesmo modo com você, porque afinal, nós só temos o direito de receber o que damos. Também pode ACEITAR uma amizade deste tipo, para não se sentir sozinha, e consequentemente ter alguém que só lembre de você quando for conveniente. E aceitando isso, não pode reclamar de não ter alguém por perto quando precise. Ou pode escolher seus amigos por carinho, consideração e amor, e assim ter os melhores amigos do mundo.

   Eu posso aceitar um(a) namorado(a) traidor, mentiroso e enganador, com medo de não ter ninguém que goste o mínimo de mim e ser infeliz a vida toda. Por outro lado, posso aceitar que esta pessoa que está comigo não gosta de mim, partir para outra e tentar ser feliz.

   Eu posso fazer uma faculdade que eu não queira  porque esse era o sonho dos meus pais, e aceitar que a frustação venha na bagagem junto comigo ao meu novo percurso. Em contrapartida, posso aceitar a frustração dos meus pais por não suprir suas expectativas e fazer o curso que bem entender e ser uma boa profissional, por apenas e simplesmente, amar o que faço.

  Eu posso escolher aceitar a influência das pessoas na minha vida, e viver do jeito que os outros querem, esquecendo das minhas vontades próprias. Por outro lado, posso escolher tomar as rédeas da minha vida e aceitar tudo que me ocorrer a partir deste momento.

  Eu posso aceitar que a minha situação de vida não é das melhores e continuar vivendo assim mesmo, acreditando que é o destino que nos leva até onde nós estamos. Ou posso dizer não as mazelas da minha vida, e fazer o que eu puder para realizar meus sonhos e mudar tudo ao meu redor.

   Eu posso aceitar que coisas ruins acontecem na vida de todos, inclusive na minha,  mas sou eu que escolho se aceito que essas tais coisas me levem a uma depressão, ou se estas mesmas coisas ruins, me dêem mais forças para lutar e reverter o quadro.

Tudo começa com um EU ESCOLHO ACEITAR ou NÃO as coisas que acontecem na minha vida e ao meu redor.

Quando você aceita as ações que outro destina a você, o outro também é obrigado a aceitar as suas possíveis reações. 

"Esteja disposto a suportar o que te sucede. A aceitação do que aconteceu é o primeiro passo para superar as consequências de qualquer adversidade."

(William James)

 

sábado, março 23, 2013

Inverno na Alma







Me encontro assim, em meio a uma estação fria. Meu corpo esfria por dentro e esse frio se espalha por fora. Sinto meus pelos arrepiarem. É como se minha alma quisesse dizer algo a mim, mas não sei como interpretar. Me sinto uma estranha no meu próprio corpo, é como se de algum modo alguma coisa estivesse sendo posta pra fora. E eu não sei o que esse frio quer expulsar. E não sei como posso estar tão fria, neste calor absurdo que faz na cidade onde moro. Tenho tentado entender o que está acontecendo comigo, porque tenho tentado me tornar a cada dia mais fria, mais prática, mais racional.. Como posso estar esquecendo várias coisas boas que me aconteceram há tão pouco tempo? Sei que me aconteceram coisas ruins para que eu ficasse assim, tão gelada, por esse motivo busco na memória as coisas boas para que eu melhore meu estado de espírito e não consigo me lembrar. Acho que meu cérebro entrou em lobotomia por si só. Só pode ser isso. Só pode.

 Algumas pessoas costumam disfarçar sua tristeza interior com sorrisos falsos, arrogância e mentiras bem elaboradas. Mas do que adianta enganar os que estão ao seu redor se quando você está longe da vista das pessoas vai voltar a ser a mesma pessoa, sozinha, sofrida e pequena?

- Não respondo porque não sei. Assim como não sei disfarçar nada. Talvez por isso eu esteja assim. Mas não posso mudar isso, porque eu realmente acredito que mentir pra si mesmo é a pior das mentiras.

 
 
 

desabafo




Seja coerente, faça das suas atitudes uma extensão das coisas que você diz..

- Ao meu ver, é preferível viver só, a seguir um "comboio de incoerentes"!

 
 








sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Sobre a Indiferença

 
 
 
 
 


Por que eu me sinto tão idiota às vezes? Por que às vezes eu me sinto uma completa idiota? A impressão que dá é que só eu tento fazer a coisa certa. O problema é que não dá resultado algum. Vou parar de tentar e ver o que acontece. Sério, vou parar. Vou parar de me preocupar, de tentar deixar tudo bonitinho pros outros, de muitas vezes deixar de lado o que eu quero pra que você as outras pessoas estejam bem. Vou parar agora mesmo. Fico me perguntando: alguém abre mão de alguma coisa pensando em mim? Não.

Desculpe, estou com raiva agora.

Me desculpe, mas não consigo agir como se nada tivesse acontecido se alguma coisa de fato aconteceu. Minha mágoa foi porque eu tinha me preocupado tanto com você e você não teve a menor consideração. Mas deixa. Eu preciso aprender. Olha, tem muita coisa no mundo que eu não entendo, mas quer saber o que realmente não entra na minha cabeça? Como pode uma pessoa saber que te deixou triste e simplesmente não fazer nada quanto a isso? Se eu sei que deixei alguém chateado por uma atitude minha é evidente que vou procurar a pessoa, ligar, fazer alguma coisa. Jamais vou ficar quieta, na minha, sem saber o que a pessoa tá pensando ou sentindo. Se tá chorando ou com raiva. Além disso, tem o essencial: vou querer consertar. Ainda mais se a mancada foi minha. Agora me pergunto: como pode alguém cruzar os braços e deixar rolar? O que adianta dizer que eu gosto muito de você, que você é mega importante pra mim se eu te deixo triste e não faço nada pra mudar isso?

 

Pior ainda é dizer nem-sei-direito-porque-você-está-com-raiva. Poxa, não sabe?  Ei, em que mundo você vive? Se eu sei que você está triste vou querer saber o motivo, te ajudar, te deixar feliz. Não vou conseguir simplesmente passar um dia inteiro sem saber o que aconteceu. Por mais que eu me ame, me adore e ame minha própria companhia eu me importava demais com você, e ainda não consigo te ver mal com alguma coisa. Mas parece que essa sou eu. E parece que só eu não sei nada da vida ainda. Mas tudo tem seu tempo, e em algum momento eu irei aprender a não me importar com mais nada que lhe diz respeito.

 

 

 

PS: Esse texto não é meu, tomei a liberdade de fazer algumas modificações, porque achei muito a minha cara neste momento.. É só como eu me sinto, nada mais.

 
 

terça-feira, dezembro 18, 2012

Rito de Passagem

 
 

 
 
 
É isso. Mais um ano acabando, minha vida como sempre uma bagunça: umas pessoas saindo, outras entrando. E eu nunca me acostumando. Aquela velha máxima que diz que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas nunca foi tão útil para mim. Nossa! Esse ano foi louco demais! Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, e eu querendo segurar o mundo em minhas mãos, mas desejando principalmente jogar o lixo fora. Cara, foi o ano mais maluco da minha vida! Nunca vivi tantas coisas como vivi esse ano. Se o mundo fosse mesmo acabar em 21/12/2012 eu teria plena convicção que eu passei por um rito de passagem. Foi muita coisa para assimilar em um ano só, que por sinal passou voando. A faculdade uma loucura total, como sempre, mas esse ano tive que fazer uma escolha para melhorar minhas notas. Saí de um emprego por causa de um estágio que acabou não vingando. Mas minhas notas melhoraram, Amém! Foi uma escolha acertada no fim das contas, mesmo eu estando desempregada, foi uma bola a dentro, dentre algumas que foram pra fora. Conheci pessoas novas, que acabaram entrando em minha vida, e permanecendo de uma forma linda e mágica. Perdi alguém que considerava uma mega-amiga (e no mesmo saco várias pessoas juntas), mas já falei muito sobre isso em outros posts, e não quero voltar a me lembrar de algo que não me faz nada bem. Me reaproximei de outra pessoa, que até agora não me disse a que veio. Me afastei de algumas pessoas por não mais suportar hipocrísias. Pessoas se afastaram de mim, por coisas que até hoje não sei. E envolveram mais gente nisso. Fui perseguida tremendamente por um louco varrido, com o qual me envolvi por pura demência. Me aconcheguei nos braços dos meus amigos- irmãos cada vez mais, e com isso fico cada vez mais feliz. Com tantas partidas, posso dizer com toda certeza: Foi bom demais eles ficarem. Não sei o que seria de mim se perdesse essas pessoas tão maravilhosas. Ah, o Face, como não falar desse mundinho que aproxima tanta gente. Quantas amizades não reafirmei através desse vício constante.. Quantos amigos de colégio não revisitei, brinquei, me declarei via chat. Esse meu ano foi e vai ser sempre inesquecível. De presente ganhei três lições tremendamente importantes: QUEM TEM QUE FICAR, FICA. QUEM GOSTA DE TI NUNCA TE ABANDONA. E AS MÁSCARAS, ESSAS BENDITAS, UMA HORA SEMPRE CAEM. Mas é, acho que estava mesmo precisando disso, uma sacudida. Um puxão de orelha da vida. Um grito de acorda, que as coisas não são essa maravilha que você pinta. Precisava rever o quadro, pichar os muros, mudar de rumo.  E que venha 2013. Não aguento mais esperar! (risos)

domingo, dezembro 09, 2012

DESCOBERTAS





Você fez direitinho o papel de quem investia tanto na relação quanto eu. Eu tentava me apegar a figura de quem você era antes, mas a distância entre quem você era quando parecia me amar e quem você se tornou foi ficando cada vez maior. Eu fingia que não reparava. Reparava apenas no que eu sentia quando você me jogava na cama e me amava de uma maneira que eu nunca havia sido amada antes.  Seus beijos em meu pescoço me levavam a algum lugar entre o céu e o inferno. Sabia que estava muito próxima ao paraíso, ao mesmo tempo em que tinha consciência de que cometia algum pecado grave por insistir em estar com você. Mesmo porque eu acreditava que você ainda me amava, eu tinha certeza disso. Eu continuava a insistir, porque eu lhe amava e acreditava em você. Mas a sorte mudou de lado e você pareceu mudar também. E eu tentei várias vezes, últimas tentativas. E aí você fez besteira. E você sabe disso. Queria te perdoar. Eu queria dizer: olha vai dar para esquecer tudo. Mas aí eu lembrei e gritei que não foi uma vez. Eu devia ter desconfiado de tanta perfeição. Você se dedicou demais e fez de tudo para que eu nunca achasse que não valia a pena te dar outra chance. E eu achei que você valia tanto a pena que eu entreguei meu coração inteiro em suas mãos, sem paraquedas, sem caixinha de primeiros socorros, e ainda embrulhado com um papel de presente rosa. Eu te dei uma chance. Eu esperei para ver o que você podia se tornar. E você podia ser alguém fantástico, bastava você querer. Você podia ter sido tudo e a gente podia ter sido muita coisa junto. E eu quis pagar para ver. Eu investi em você: meu tempo, minha atenção e meu encantamento. Estava difícil. Por isso eu não pude te impedir de arrumar as suas coisas todas as vezes que você queria ir embora. E sempre que nós brigávamos e você ia embora, eu chorava e pensava bem se eu não devia fazer de tudo para que você fosse meu para sempre. Aí nós voltávamos, mas a quem queríamos enganar? Não seria nunca a mesma coisa. Agora você tinha outras necessidades. No fundo, eu sabia que não poderia te perder, porque você nunca me pertenceu, que você é só seu. Você só pensa em você. Aquela história antiga de “nós dois” só existia na minha cabeça. Você não vale nada, e eu sou uma idiota!

Não dá mais. Eu ainda te amo e sou completamente louca por você, mas não dá mais. Não quero ouvir seus gritos de novo e já estou sem voz para gritar. Eu já entendi que chegou a hora de abandonar o barco e você devia entender isso também. Afinal você sabe o porquê de eu querer abandonar o barco, você que me forçou a fazer isso. Por mais que a gente possa se afogar no mar, eu prefiro buscar alguma boia perdida e sair viva do que afundar em algo que demorei muito para construir, mas que agora só está me levando para o fundo do poço. Eu vou lhe mandar essa carta e provavelmente, vou chorar a noite  inteira abraçada ao meu travesseiro, como tenho feito por todos esses últimos dias. Talvez doa mais em mim do que em você. Na realidade, dói muito mais em mim, com certeza. Afinal, você pode até carregar a culpa de ter estragado tudo, mas a decepção foi só minha e sou eu que tenho que lidar agora com a dor de ver desmoronar um relacionamento inteiro que eu sonhei para mim.
Eu sei que você vai dizer que tentou de tudo. E eu queria dizer que a gente devia tentar um pouco mais. Mas não devemos. Eu também não tenho mais força pra te convencer que eu sou a mulher da sua vida. Nem tenho mais a certeza de que eu sou ela mesmo. Já que você me mostrou o contrário.
Um dia, eu pensei em me casar com você e passar o resto da vida ao seu lado. Mas aquele homem com quem eu sonhei o meu futuro não parece em nada com este de agora. Eu tento pensar como foi que nós terminamos assim. Nós costumávamos nos amar tanto. Eu passaria horas ao seu lado, sem dizer uma palavra, amando o seu silêncio. Agora, essa ausência de palavras suas me desespera.
Daqui a menos de meia hora, você vai ter passado de grande amor da minha vida a mero desconhecido. Não vou mais brigar, não vou mais pedir para demonstrar que me ama, não vou mais pedir que não minta, não vou fazer mais nada. Não vou principalmente querer te convencer que poderíamos ter sido tudo. Tenho a impressão de que o que nós poderíamos ter sido, nós fomos. E o que não fomos foi o que eu pensava que seriamos: Felizes para sempre.
Já deu nossa hora. Mas você parece que tem medo de admitir e eu te amo demais para falar em voz alta também.
Você diz que me ama. Vamos aos fatos: você não me ama. Se me amasse, teria estado aqui quando eu precisei sem que eu tivesse que chorar ao telefone. Se me amasse, teria me dado a mão e dito que cumpriria o que havia me prometido. Se me amasse nunca teria mentido, mesmo a mentira sendo mais bonita que a verdade, você sempre iria preferir a verdade, para que eu não me sentisse traída. Achei que sabia que você me amava. Mas até isso era mentira.
É difícil admitir que aquela foi a última vez. Um nó na minha garganta estava doido para se desfazer e gritar para que você não fosse, que ficasse e perdoasse minhas inseguranças. Eu pensei que poderia ser assim: pediria que você perdoasse meus medos, e você diria que nunca mais mentiria. Nós voltaríamos para a cama, você me abraçaria e ficaria tudo bem. Mas me impedi antes que minha fraqueza fosse mais forte do que eu. Deixei que pegasse suas coisas e não disse uma palavra, porque sabia há tempos o que não tinha coragem de admitir: nós não tínhamos futuro.
Queria sim te agarrar a mão e pedir que não me deixasse jamais. Queria dizer que conseguiríamos superar todas as barreiras se estivéssemos juntos. Queria dizer que eu te amava e isso bastava. Mas não bastava, não. Logo você voltaria a se incomodar com meu amor e eu voltaria a me incomodar com a falta dele em você. O seu não amor me magoa como uma faca no coração que ninguém tira. Ainda assim, foi difícil admitir, olhando para você com a mão na maçaneta, que aquela seria a última vez. Que eu não queria mais te implorar atenção. Era difícil admitir que, por mais que eu quisesse muito, nós não tínhamos muitos caminhos a tomar dali para frente. Estávamos presos em um caminho sem volta, sem retorno e sem saída. E exatamente por me encontrar nessa rua sem saída, eu era obrigada a abandonar o carro e parar de tentar acelerar contra o muro. Não tinha para onde ir e nós sabíamos disso.

Doeu. Quer dizer, ainda dói, como sei que vai doer por muito tempo. Você sequer me deixava e eu já sentia saudades. Sequer partira e eu já tinha aquele sentimento de que nunca mais iria te ver. Pior: já me imaginava te encontrando depois de anos, perdidamente apaixonado por outra pessoa. E aí vai doer ainda mais, porque eu vou me perguntar por que você foi capaz de amá-la e não conseguiu jamais me amar também. Era difícil admitir que era nossa última vez, mas era. Você foi embora, sem olhar para trás e eu apenas encarei a porta batida. Minha dor continuava aqui, meu amor continuava aqui e eu continuava aqui. Mas você e meu coração já não estavam.
Admito que dói pensar na ideia de um dia você não pensar mais em mim, mas acho que é a única saída. A partir daqui sou eu e Deus. A porta está aberta e não te peço mais nem um abraço de despedida. Suas palavras ainda estão soando em meus ouvidos e meu sorriso amarelo é só uma forma de te magoar com uma suposta indiferença. A partir daqui meu orgulho fala mais alto. Deixo que vá.

domingo, dezembro 02, 2012

Adeus

 
 
 
"Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta. Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo, me procura você. "
(Caio F Abreu)



Perguntaram para mim por onde você anda. Disse que não vejo mais, e fim. Afinal, você sumiu e fim. Não teve uma briga, nem sei se houve um motivo, talvez sim. Você disse que sempre estaria comigo e não ficou. Disse que eu era especial e hoje vejo que não era, nem sou. Virou-me as costas. E só.
Perguntaram para mim o que eu te fiz. Quis devolver a pergunta. O que eu te fiz? Não fiz nada, e talvez isso tenha sido um grande erro. Não corri atrás, o que pode ter sido meu grande pecado. Mas depois de te puxar tanto a mão nas suas idas, depois de lhe pedir perdão mesmo sem estar errada, depois de lhe abraçar e lhe mostrar o quanto você era importante para mim, deixei que você fosse sem amarras, para reparar se você tinha qualquer ímpeto de voltar. Não voltou.
E a coisa, pelo o que parece, foi pessoal. Com os outros, você continua bem normal, bem presente, bem amiga e bem companheira. Me perguntam sobre você e eu dou um sorriso sem graça, de quem não tem desculpa para uma amizade que acabou. Tem desculpa? Não. Acabou, assim sem porquê.Queria que tivéssemos pelo menos uma última discussão. Queria que você assumisse que o problema foi que você preferiu ficar do lado dele e não do meu. Que se rendesse e me contasse que não quer mais ouvir meus lamentos infantis, mimados e egoístas. Queria que chegasse em mim e dissesse: “Olha, sou mais amiga dele do que sua, então é para lá que eu vou, do lado dele”. E eu entenderia. Aceitaria. Sofreria, é claro, mas te acharia de uma sinceridade e pureza sem tamanho. Sentiria sua falta, é claro, mas entenderia que não é mesmo possível ouvir os dois lados da mesma história e ficar assim tão imparcial. E teria uma desculpa para usar quando me perguntassem sobre você: “incompatibilidade de lados”.
Mas não. Você só me esqueceu. Mudou comigo, sem uma carta de despedida, sem desculpa aparente, sem último abraço, nem última briga. E agora me perguntam sobre você, dou uma risada sem graça e cantarolo: Y desapareció, sumió sin avisar...
Desapareceu. E só para encurtar a história: Adeus!

quarta-feira, novembro 14, 2012

um pouco de mim..

 
 
 
 
 
Tenho um grave problema para aceitar quem eu sou. Talvez por medo, covardia, insegurança. Talvez, um sentimento sem nome. Talvez, essa minha fome exagerada de viver em êxtase sempre. O fato é que minhas escolhas dizem quem eu sou. E hoje, com mais de 20, me sinto segura ao dizer que fiz certo o que muitos pensaram que era errado. E errado o que muitos achavam que era certo.
Eu já sofri muito com os desamores. Me apaixonei por pessoas erradas, me perdi de mim, culpei pessoas por uma infelicidade que morava no meu peito. Que bobagem, o que é nosso é nosso, é maldade jogar nas costas do outro uma coisa que te pertence.
Perdi alguns amigos, fiz outros. No meio disso tudo descobri que mesmo aquele que tu acredita ser teu melhor amigo um dia vai te magoar e te deixar na mão, o que é muito triste descobrir, mas faz parte da vida, do aprendizado e da construção da personalidade, afinal, a gente uma hora precisa entender que ninguém é perfeito e que nem todo mundo vai estar presente quando a gente precisar.
Já me desentendi com alguns amigos e depois de anos fiz as pazes. Já briguei com meus pais por motivos fúteis e por motivos sérios. Já fiquei sem falar com meu pai por um mês, por acreditar que ele estava errado, mas não necessariamente que eu estava certa. Já fiz mal criação, fechei a cara por dias e também já abracei meu traveseiro várias vezes chorando. E sobrevivi mesmo assim.
Já namorei por carência, já me apeguei à pessoas que pareciam me salvar de tudo o que era ruim. Mas também percebi que ninguém, ninguém mesmo, te salva. É você e você mesmo, ninguém mais, mesmo que pareça que aquela pessoa está ali pra isso, ela não está, pode ter certeza, uma hora essa salvação vira precipício. E a gente precisa urgentemente aprender a conviver com todos os abismos que habitam dentro de nós.
Já quis ser muitas coisas, hoje quero apenas ser quem eu sou e ainda assim, se der, me divertir.
Hoje posso dizer que me descubro um novo ser, a cada dia que passa. E agradeço por isso. A gente precisa se descobrir todo santo dia, de alguma forma, por outro ângulo. Até porque todo mundo tem o direito de mudar de opinião sobre si mesmo e sobre tudo, porque só não muda de opinião quem não as tem. 
Coisas ruins acontecem todos os dias, mas há certas coisas que acontecem apenas para mostrar o quanto somos valentes. É por isso que não reclamo, aceito e entendo que um dia as coisas vão melhorar, e espero, espero porque sei que tem alguém olhando por mim, e guiando meus passos, mesmo que alguns sejam dados tão erroneamente, sei que tem alguém lá em cima que não me julga, e que perdoa meus passos errados, porque me conhece e sabe que eu só estou procurando ser feliz. A vida não tá fácil pra ninguém, mas fica menos difícil se nós temos em quem acreditar.