sexta-feira, dezembro 10, 2010

Viver com medo, não é viver.





Se alguém fura o dedo num espinho e diz que dói bastante, você pode achar que a pessoa é uma fresca ou pode concordar que realmente pode doer. Mas saber mesmo, de verdade, você só vai saber, se você se arriscar a se ferir também com esse espinho, ou outro qualquer. O fato é que você só sabe o que acontecerá com você, se você se arriscar. Mesmo que outra pessoa tenha passado pela mesma situação. Aí sim, se arriscando, você vai ter uma opinião sobre a dor que se sente quando se fura o dedo num espinho, ou qualquer que seja a dor, a situação. E mesmo que sua opinião seja igual a de muitas outras pessoas, você sabe qual é a sua opinião. Só sua. Afinal, você se arriscou para saber.
Certa vez, meu pai me disse que eu quebraria a cara com uma pessoa que eu gostava e queria namorar. E eu lhe disse que estava disposta a arriscar. Ele me disse que tudo bem, mas que ele já tinha me avisado, e que depois não iria querer que eu viesse procurar colo nos braços dele. Porque me avisando, ele estava tentando evitar uma dor futura. E eu disse: Eu não vou fazer isso. Eu não vou querer chorar nos seus braços, se nada der certo. Pode ter certeza! E eu não fiz. No final, foi do jeito que ele falou, eu quebrei a cara. Mas não me arrependi de ter me arriscado. Porque essa foi a primeira vez que ele me permitiu sentir que eu estava viva, que eu também sentiria dores, que eu também sofreria um dia. Afinal, quantas dores futuras, ele teria que tentar evitar, para que eu chegasse ao fim de minha vida, sem sofrimento nenhum?
Foi naquele dia que eu aprendi que a vida não é um mar de rosas que eu sempre acheii que fosse, graças a superproteção dos meus pais. Foi a partir daquele dia que eu comecei a aprender um monte de coisas, e a amadurecer.
Depois daquele dia, eu percebi que aquele cuidado todo que os meus pais tinham comigo, não permitiria que eu vivesse, caso eu tivesse deixado eles continuarem com aquele medo, que eles tinham, de que eu fosse magoada. Do mesmo jeito, acontecia quando eu era criança, quando eu estava aprendendo a andar, todas as vezes que eles viam que eu estava prestes a cair, eles corriam feito loucos para que eu não me machucasse, e isso acontece com muitas outras famílias, eu sei. Mas uma ou outra vez, eles não estavam por perto, e eu acabava caindo e me machucando. E mesmo assim, eu não desistia de querer aprender a andar. Porque quando a gente cresce eles acham que depois de um sofrimento nós vamos desistir das coisas? Eles tem que nos permitir viver as nossas vidas, sem interferir, se preocupar sim, porque isso é coisa da família, mas interferir, isso não. Isso não existe. Se eles viveram suas vidas, se machucaram muitas vezes, e  creio, aprenderam tantas coisas, porque nós, os filhos, não podemos aprender também? Nós mesmos temos que aprender a lidar com nossas frustrações, com nossas tristezas, com nossos erros. Só assim nós podemos aprender alguma coisa, e nos tornar as pessoas que queremos ser. Viver tentando aprender com os erros dos outros, é impossível. Com você tudo pode ser diferente. Porque mesmo que a situação aparente ser a mesma, as pessoas envolvidas são outras, as atitudes são outras, é outro momento. É outra coisa. Enfim, tudo é diferente, por mais que se pareça igual.
Na vida, toda hora estamos correndo algum risco. Inclusive, de morrer sem ter vivido. Porque viver com medo, não é viver.

3 comentários:

Lêh Dantas disse...

Isso é uma verdade, só sabemos realmente a dor de algo quando vivemos algo igual ou parecido ;D
suas palavras ? gostei ^^
beijos

tamii macedo disse...

É a mais pura verdade. Pra saber , tem que sentir.
é sim, sempre minhas loucas palavras :D
Bjo

Phael Marques disse...

"Na vida, toda hora estamos correndo algum risco. Inclusive, de morrer sem ter vivido. Porque viver com medo, não é viver." Essa parte é a melhor, concordo com vc, a vida é um risco que poucos tem coragem de correr. Adoro suas sábias loucas palavras rsrs.

Postar um comentário